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DOWN THE BLACK RIVER INTO THE DARK NIGTH A peça é dedicada a Quaternaglia e James Dick e a estréia ocorreu em 14 de fevereiro de 2009 no "V Festival Internacional de Violão de Round Top", com Quaternaglia, James Dick e a Round Top Philharmonia dirigida por Marcelo Bussiki. Down the Black River into the Dark Night é uma composição estritamente musical que explora diferentes texturas e diversas possibilidades de intersecções de materiais musicais específicos. Tem como principio unificador a utilização recorrente e variada de intervalos de segunda e sexta menor em contextos tonais, pan-tonais e outros. Ritmicamente lança mão de sobreposições de diferentes recortes de tempo além de aplicar o filtro da escrita musical sobre determinados ritmos brasileiros de tradição popular espontânea. A idéia inicial da peça surgiu em Maio de 2008, no saguão de entrada do Hotel Regente em Belém (Pará) - Brasil - quando James Dick me consultou a respeito de um novo quinteto (para piano e quarteto de violões), com inspirações e referências à região amazônica. Logo imaginei uma analogia possível entre as idéias musicais citadas acima e uma longa viagem em uma noite inexoravelmente escura, deslizando em uma pequena embarcação sobre as águas silenciosas do enigmático Rio Negro (Black River) um dos mais importantes afluentes do Rio Amazonas. O ouvinte pode tomar a narrativa abaixo como referência para a escuta, embora a obra não tenha sido baseada em um programa escrito a priori: A travessia se inicia tranqüila, prenhe de expectativa e necessariamente alerta a qualquer acontecimento inesperado. O silêncio da noite amplifica os sons da natureza. O octeto de cordas estabelece um fluxo sonoro contínuo, paralelo às águas negras do rio, onde as notas longas sem recortes impõem uma sensação de não pulso, de não tempo. Vez por outra ouvimos reverberações mescladas entre a música feita pelos habitantes dos vilarejos das margens do rio e a própria sonoridade da paisagem amazônica. A falta de visibilidade - imposta pela escuridão das águas e da noite - abre a porta da introspecção para a emergência de memórias. Ecos de Jobim, Ligeti, Reich e Schumann. Ao final, uma tempestade abate nossos viajantes justamente no encontro entre as águas escuras do Rio Negro e as águas límpidas do gigante Amazonas. O Rio Negro se dilui. Ainda ouviremos algumas das gotas iniciais que - mesmo desmanchadas no Amazonas - conseguiram preservar parte de sua identidade original e prosseguirão, do outro lado do círculo das quintas, sua jornada rumo ao mar. Sergio Molina
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